Mesa-redonda abre as Jornadas Científicas Estudantis do EAD com debate sobre Inteligência Artificial, Inovação e Ética

Jornadas do CEDUL reúnem 98 comunicações científicas, em formato híbrido, na Zambézia e em Sofala

Decorreu nos dias 10 a 11 de Outubro no Auditório Manuel José de Morais, as Jornadas Científicas Estudantis do Ensino a Distância (EaD), com uma Mesa-Redonda subordinada ao tema “Transformação Digital no Ensino Superior: Inteligência Artificial, Inovação e Ética na Construção de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável através do EaD”.

O painel foi moderado pelo Prof. Doutor Correia Hermenegildo Correia, Director-Adjunto para a Pós-Graduação da Faculdade de Educação, e teve como oradores o Prof. Doutor Aniceto Mapfala, Director da Faculdade de Educação, e a Dra. Cristina da Silva, Directora do CEDUL.

Na sua intervenção, o Prof. Doutor Aniceto Mapfala apresentou uma visão abrangente da transformação digital e da Inteligência Artificial no ensino superior, destacando o seu potencial para tornar a aprendizagem mais flexível, inclusiva e personalizada, bem como para melhorar o acompanhamento dos estudantes e a interacção entre tutores e discentes. Alertou, contudo, que a IA também erra e que, no contexto moçambicano, é imprescindível considerar as condições socioeconómicas dos estudantes, a conectividade à Internet e o acesso equitativo a dispositivos tecnológicos, sob pena de se criarem novas formas de exclusão digital.

Por sua vez, a Dra. Cristina da Silva centrou a sua intervenção nos estudantes e tutores do EaD e na ligação ao desenvolvimento sustentável. Defendeu que ter acesso à informação não é o mesmo que produzir conhecimento, e que digitalizar materiais não é o mesmo que inovar pedagogicamente. Propôs três gestos fundamentais para o uso responsável da IA: perguntar, verificar e assumir, lembrando que a Inteligência Artificial pode errar e que nem sempre constitui a melhor opção. Sublinhou, igualmente, o papel dos tutores na valorização do processo de aprendizagem e desafiou os estudantes a partirem de um problema real da sua escola ou comunidade, formularem uma pergunta de investigação, procurarem evidências e proporem soluções sustentáveis.

O moderador, Prof. Doutor Correia Hermenegildo Correia, reforçou as ideias apresentadas pelos oradores, sublinhando que a transformação digital exige propósito, ética e inclusão.

Em conclusão, ficou assente que a transformação digital no ensino superior deve ser orientada por uma visão estratégica que articule inovação tecnológica, responsabilidade ética e inclusão digital. Como sintetizou a Directora do CEDUL, “o futuro não pertence a quem tem mais ferramentas, mas a quem sabe fazer boas perguntas, investigar com rigor, colaborar com os outros e agir com ética”.

(GCCI)

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